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Reflexão de quarentena - Tempo e Culpa

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Quem nunca se sentiu culpado por estar em um lugar achando que deveria estar em outro? Por exemplo, sentir culpa por estar trabalhando muito e não ter mais tempo para a família. Ou por estar num encontro divertido com amigos em vez de estudando.

 

Quando experimentamos esse tipo de conflito, temos a angustiante sensação de “perda de tempo”.  Não conseguimos estar num lugar (relaxar e viver o presente) nem no outro. E isso, claro, gera ansiedade e sofrimento.

 

Observando as pessoas e também me auto-observando nessa quarentena, comecei a refletir sobre essa relação entre tempo e culpa.

 

Quem está vivendo o isolamento em família, não aguenta mais o convívio intenso com aquelas pessoas por mais amadas que sejam. Os que têm crianças em casa, então, estão arrancando os cabelos! Aquele tempo extra em família que você tanto queria passou do ponto. E aí bate a culpa por estar com saudades do escritório...

 

Já aqueles cujo ritmo de trabalho aumentou, como os profissionais da saúde e cientistas, certamente estão sentindo muita falta de seus amores, além da boa e velha culpa pela ausência, claro.

 

Há, ainda, os que, como eu, estão isolados sozinhos em suas ilhas individuais. Aí é uma falta generalizada de “gente” mesmo que bate. E, talvez, culpa por não ter se permitido viver o presente em situações que agora ficaram no passado. Essa culpa, aliás, acho que estamos todos carregando em alguma medida, seja qual for o tipo de isolamento imposto a cada um de nós.

 

Uma primeira conclusão que podemos tirar disso tudo é que em quanto mais nichos (família, trabalho, namoro, estudos, amigos, atividade física, momentos de introspecção...) conseguimos distribuir o nosso tempo, mais a gente dignifica cada um desses segmentos da nossa vida e valoriza o momento presente.  

 

A imersão intensa em uma atividade exclusiva, que se repete dia após dia e sem data para acabar, inevitavelmente nos levará para o modo automático. Parece-me humanamente impossível sustentar o estado de presença, ou seja, manter um alinhamento entre corpo, mente e espírito, 100% do tempo nessas condições.  

 

A natureza humana é complexa, plural. Precisamos alimentar todos os nossos papéis sociais, cuidados pessoais, bem como nosso tempo e espaço sozinhos para crescer e nos conectar com algo maior. Nossa felicidade depende de compreendermos e atendermos cada uma dessas demandas do nosso ser de forma equilibrada.  

 

Muito se fala em priorizar a qualidade e não a quantidade do tempo numa tentativa de apaziguar nossos corações culpados. Mas a quarentena está nos mostrando, na prática, que ter mais tempo disponível para a atividade “A” ou “B” não melhora nossa experiência com essa atividade, pelo contrário.  No final das contas, o que conta mesmo é a qualidade do tempo.

 

Portanto, vamos fazer as pazes com o relógio e nos livrar, de uma vez por todas, da culpa pela suposta “perda de tempo”? Todo tempo é valioso, inclusive este de isolamento forçado que vivemos agora. Perda de tempo é viver culpado.

 

Quando tudo voltar ao normal – e tudo vai voltar ao normal – vamos nos permitir relaxar e viver plenamente, sem culpa, cada um dos papéis que compõem nossa personalidade. Não podemos abrir mão de nenhum deles, porque todos são importantes. Até lá, usemos nossa criatividade! Afinal, também é possível ser plural em casa.

 

Foto: Fernanda Prema

 

 

 

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